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SAÚDE - Mais saúde na escola

Adriana Patrocínio


A busca pela alimentação natural é uma tendência cada vez mais consolidada no Brasil e no mundo. Com a dupla vantagem de favorecer a boa saúde e o meio ambiente, o consumo de alimentos saudáveis cresce em média 40% ao ano no país.  Essa nova consciência surge da necessidade de viver mais e melhor, num planeta constantemente ameaçado.

O hábito ecologicamente correto vem sendo adotado por algumas escolas infantis baianas. São estabelecimentos de ensino que proíbem a venda de pãezinhos, coxinhas, refrigerantes e brigadeiros, entre outras merendas das tradicionais cantinas, dando lugar a lanches naturais como  frutas, sucos, saladas e iogurtes.
Alimentos saudáveis estão na ordem do dia na escola de educação infantil Vanguarda, no Rio Vermelho.

Para incentivar os mais de 60 pequenos, com idades entre 1 e 6 anos, o colégio conta com o Projeto da Boa Alimentação. “Procuramos sempre conscientizar a criançada e formar o hábito da boa alimentação. Não permitimos, por exemplo, o consumo de refrigerantes, biscoitos recheados e salgadinhos industrializados”, explica a diretora da Vanguarda, Mariana Andrade.

Entre as iniciativas, a escola promove o “dia da fruta”,  todas as quartas-feiras. “Nesse dia a ordem é só trazer frutas para o lanche. Ensinamos em sala de aula a importância e os benefícios das frutas e verduras para o organismo, explicando de forma bem didática sobre as vitaminas de cada uma delas”, destaca.

Na escola Tempo de Criança, no Caminho das Árvores, o incentivo à alimentação saudável envolve rodas de discussões e pesquisas sobre os alimentos, carboidratos, vitaminas e proteínas e também sobre as doenças provocadas pelos maus hábitos alimentares, como diabetes, hipertensão e obesidade.

“Melhor que proibir é conscientizar”, assegura a vice-diretora da  Tempo de Criança, Larissa Machado Barros, ressaltando que na cantina da escola são vendidos iogurtes, sucos e salada de frutas e salgados de forno (em substituição às frituras). O espaço conta com cerca de 350 crianças, com idade de 1 a 10 anos.

A alimentação natural sempre fez parte da proposta pedagógica da escola Via Magia, na Federação. “A questão está inserida não só no costume das merendas naturais, do uso do açúcar mascavo e da farinha integral, como também na matemática e na linguagem escrita e falada”, valoriza a coordenadora pedagógica da Via Magia,  Karine Araújo.

A Via Magia, que reúne aproximadamente 250 meninos e meninas, de 2 a 12 anos, também estimula as práticas ambientais, através do plantio de árvores e colheita dos frutos na própria escola. Entre as espécies estão jambo, acerola, manga e carambola. “As atividades, inclusive a merenda, são sempre realizadas em grupo, pois incentiva muito mais”, diz.

Na cantina da Via Magia, mingaus, salgados de forno, mel, beiju e frutas, têm espaço garantido. A entrada é proibida para refrigerantes e qualquer produto industrializado, feito com carne vermelha ou açúcar branco. Chocolate, só integral.

As escolas que adotam uma alimentação saudável ainda são minoria. A nutricionista Edelvira Seixas acredita que a mudança de postura se fará a médio e longo prazo, considerando que na grande maioria, as cantinas são terceirizadas, e a busca pelo lucro prevalece. Ela chama atenção para papel dos pais na educação alimentar dos filhos. “Eles querem que os filhos comam mais frutas e verduras, mas não estão dispostos a mudar. Cobram, mas não praticam o que ensinam”, afirma.

A mídia também poderia ser aliada, na opinião da especialista, disseminando, divulgando, valorizando e estimulando as práticas saudáveis. “Muitas crianças sentem vergonha de levar uma merenda saudável para escola por que isso não é uma prática comum e acaba sendo um fator de discriminação”, afirmou.

Segundo o médico clínico-geral, especializado em terapêutica natural, Fernando Hoisel, a alimentação excessivamente rica em açúcar, sal e farinha de trigo refinados – os chamados “assassinos brancos” – e em gordura trans (gordura modificada) contribui para os elevados índices das temidas “doenças da modernidade”. Estão na lista as  doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e obesidade, que são a causa de 75% das mortes nos países industrializados, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Tudo isso poderia ser evitado com uma boa educação alimentar”, afirma o especialista. “Não devemos apenas tratar os sinais e sintomas. Os adultos têm que se conscientizar que são capazes de cuidar da saúde deles e das crianças através de uma alimentação saudável”, acrescenta. 

Essa tão propagada alimentação saudável, diz Hoisel, é rica em alimentos que estimulam nosso sistema de defesa, com muitas vitaminas e sais minerais: são principalmente frutas, verduras, folhas, chás e massas integrais. “Eles previnem uma série de doenças, desde um simples resfriado até um câncer”, garante o médico, que trabalha com naturismo há mais de 30 anos. Na busca pelo bom funcionamento do organismo e por mais qualidade de vida a palavra-chave é negociação: substituir alimentos por outros mais saudáveis, sem abrir mão de pequenas exceções que tornam a vida de cada pessoa mais prazerosa.

Matéria republicada, extraída da nossa edição de nº 3

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