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EDUCAÇÃO - Faculdade Dois de Julho fortalece a cidadania e os Direitos Humanos


Josué Mello, diretor da Fundação 2 de Julho, diz que
a palavra aluno é proibida, pois pressupõe alguém
sem luz. Todos, inclusive professores, são
visto como estudantes

A Faculdade Dois de Julho ancora-se numa instituição, com 83 anos de existência a serviço de uma educação de concepção libertária, comprometida com a cidadania e com o fortalecimento dos Direitos Humanos, a Fundação Dois de Julho que congrega ainda o Colégio Dois de Julho, oferecendo também ensino médio e fundamental. “Foi a única instituição baiana que no período da primeira e da segunda guerra mundial, abriu as portas para que os filhos dos judeus pudessem estudar”, afirma o pastor Josué Mello, diretor da faculdade.

Ele, que foi reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e secretário de educação do município, conta que aceitou o desafio de administrar a instituição, como forma de retribuir o que dela recebeu. “Tudo que sou devo a esta casa, pois quando concluí a quarta-série na cidade de Largato, em Sergipe, não tinha mais como estudar. Sem recursos, vim para Salvador como bolsista e aluno interno do Dois de Julho”, conta.


O diretor ressalta que a instituição é sem fins lucrativos e tudo que arrecada, aplica nos próprios projetos. “A Fundação Dois de Julho, não tem dono, ou sócios. É uma entidade privada, mas não particular, não capitalista. Pertence ao povo baiano”.

Filosofia
Tendo sido formado sob a perspectiva da teologia da libertação e crendo que o homem deve ser reconhecido pelas suas ações e não pelas opções, Josué afirma que para a Faculdade, o mais importante é formar profissionais comprometidos com a transformação social. Estudante, segundo ele, não é visto como cliente, mas como parceiro de um projeto educacional de excelência, onde cada um entra com o que lhe compete. “A palavra aluno aqui é proibida, pois pressupõe alguém sem luz. Estudantes e aprendizes somos todos nós. Isto muda tudo, até a disposição das carteiras na sala, que é em semicírculo. Aqui também, nós nunca vamos ter ex-alunos, porque estudante nunca é ex”.

Direitos Humanos
A Faculdade criou o prêmio nacional Jaime Wright, em homenagem àquele que lutou pela paz e pelos Direitos Humanos no Brasil. O prêmio é precedido pela conferência Jaime Wright de Promotores da Paz e dos Direitos Humanos. Este ano, o tema da conferência, que acontece de 24 a 26 de outubro, será Direitos Humanos e Meio Ambiente.

Biblioteca
Possui um acervo de 22 mil livros. É hoje, guardiã da biblioteca de Josapha Marinho, que foi pleiteada Senado Federal e pelo Superior Tribunal Federal, mas cedida pela família à Fundação. É composta por 7.500 volumes de Direito, além de toda a documentação de Josapha como jurista e senador, disponível para consulta.

Memorial
O Solar Conde dos Arcos, prédio histórico nas dependências da Fundação, vai se transformar no Centro de Pesquisa em Direitos Humanos, o primeiro do Nordeste, incluindo todos os documentos de Josapha Marinho e de Jaime Wright sob a ditadura militar. Reverendo da Igreja Presbiteriana, Jaime Wright, coordenou junto com Dom Evaristo da Veiga, o projeto Brasil: Tortura Nunca Mais, dossiê que documentou as prisões e tortura no país. O material foi doado pela família do reverendo à Fundação Dois de Julho.

Núcleo de Prática Jurídica
Em dois anos, dos mais de 500 processos, o núcleo contabiliza quase 400 arquivados porque, como explica Josué Mello, foram julgados. São questões de família e trabalhistas. “O estudante pega um processo e vai até o fim”.

Comunidade
No turno matutino, os laboratórios do curso de Comunicação servem aos jovens da comunidade que fazem cursos como por exemplo, de roteiro e elaboração de vídeo. A Faculdade abriu as portas para as famílias da comunidade e professores da escola pública através do projeto “Quero uma vida melhor para os meus filhos”. As conferências mensais, proferidas pelo médico e educador Feizi Milani, doutor em saúde pública, realizadas no auditório da Fundação, reuniam cerca de 400 participantes a cada edição.

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