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EDUCAÇÂO - Deletaram o Centro de Estudos Baianos


Quando o professor se afasta da Ufba e não tem “merecimento” para ser Emérito, os Órgãos Superiores da Universidade Federal da Bahia esquecem-se de que alguns desses antigos lentes ainda existem. Provavelmente, é tido como morto, pois, para provar que vive, tem que se recadastrar, anualmente, no mês do aniversário, dirigindo-se, para não sair de folha, ao Departamento de Pessoal, no Campus de Ondina.
Essa providência revela a intenção de obter a confirmação da existência do dito cujo, ou a dita cuja, para efeito de imediata suspensão de proventos.

Por isso, não chegou ao meu conhecimento a “infausta notícia” de que foram eliminados alguns órgãos universitários, dentre eles o Centro de Estudos Baianos, criado na Reitoria Lafayette de Azevedo Pondé, em 1974, mediante a Resolução 05 do Conselho Universitário, o CEB  passou a ser regido pelo disposto no Estatuto e no Regimento Geral da Universidade e pelo seu Regimento Interno.

O Centro de Estudos Baianos da Ufba nasceu logo após a aquisição da Biblioteca Frederico Edelweiss. Cabe, por oportuno, destacar os artigos 2º e 3º referentes ao Título I da Instituição, que assim se definem: Artigo 2º. O Centro de Estudos Baianos estará diretamente vinculado à Reitoria, na forma do Parágrafo Único do Artigo 45º do Estatuto da Universidade e do Decreto nº 62.241, de 8 de fevereiro de 1968. Artigo 3º. A “Biblioteca Frederico Edelweiss“ é o acervo fundamental  do Centro de Estudos Baianos e como tal a ele se incorpora, íntegra e inalienável, sendo parte do seu patrimônio”.

Como fica evidente, ao desfazer-se da sua coleção brasiliana, Frederico Edelweiss cercou-se de cuidados para não permitir o seu esfacelamento. Nada adiantou, porque os apetites universitários estavam mobilizados para desfazer o que fora acordado em cartório.
O que aconteceu agora passou nas “altas esferas” e não chegou ao meu conhecimento. Não que tivesse condições de defender a instituição. Longe de mim tal propósito, mesmo porque estou fora da Ufba há muito tempo.

Já defendi o CEB anteriormente, repetidas vezes, quando no exercício do cargo de diretora daquela instituição. Todas as vezes que foi necessário lutar pela coleção Frederico Edelweiss, núcleo fundamental do Orgão, fui em sua defesa. Contei com a colaboração da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), sob a presidência de Affonso Maciel Netto.

Em artigo publicado na “Universitas“, número 33 – julho – setembro 1985, sublinhei a importância do Centro Baianos da Ufba, que deu continuidade ao antigo, fundado em 31 de julho de 1941, fundado por vinte e oito personalidades baianas: Anfrísia Santiago, Affonso Ruy de Souza, Afrânio Coutinho, Antônio Balbino, Antonio Osmar Gomes, Diógenes Rebouças, Frederico Edelweiss, Heitor Praguer Frós, Hélio de Queirós Duarte, Herman Neeser, João Augusto Calmon du Pin e Almeida, Jorge Calmon Moniz de Bittencourt, José Antônio do Prado Valadares, José Calasans Brandão da Silva, Luciano de Sá Bittencourt, Luís Viana Filho, Miguel Calmon Sobrinho, Miguel Dias Lima Santos, Nestor Duarte, Oldegar Franco Vieira, Oscar  Caetano da Silva, Osvaldo Valente, Presciliano Silva , Raimundo Paturi, Rômulo Almeida, Walter Veloso Gordilho e Waldemar Magalhães Mattos. Todavia, este não teve a “institucionalidade” do segundo de igual nome.
Ainda não me inteirei do que realmente aconteceu, mas soube, por terceiros, que a cláusula contratual, assinada por Frederico Edelweiss,  com a Ufba, que impedia o desmembramento da coleção, foi recentemente violada.

Em “meio a essa confusão, parece que também “sacrificaram” o Núcleo Sertão”, doado ao CEB pelo professor José Calasans.

Por incrível que pareça, apesar de ter sido a primeira diretora do Centro, indicada pelo colecionador, não mereci qualquer informação sobre o assunto que, aliás, foi objeto de discussão no Reitorado Augusto Mascarenhas. Àquela altura prevaleceu a vontade de Frederico Edelweiss, não se concretizando a infeliz idéia, agora firmada pelo Reitor Naomar Almeida, graças á decisão do Conselho Universitário.
Pena que a Universidade Federal da Bahia não tenha memória!

 

Consuelo Pondé de Sena
Presidente do Instituto Geográfico Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia.
consueloponde@terra.com.br


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